Anotações sobre palestras do Prof. Claus Clüver (Indiana University) na UFMG.
Foi uma conferência sobre o estado atual do campo Intermidialidade, que, apesar de contar com raízes nos primórdios da filosofia ocidental, ainda está em gestação. Houve especial atenção à definição de intermídia. Alguns termos talvez mais apropriados, como intersemiótica, por exemplo, não podem ser traduzidos para línguas importantes; daí a escolha de mídia (o plural de media, que já se transformou em singular) apesar da palavra estar comumente associada à materialidade do suporte. Mídia, nesse contexto, deve ser compreendida largo senso: aquilo que transmite signos através de homens com receptores adequados, em uma distância.
Para fins didáticos, Clüver propôs uma diferenciação entre transmídia, multimídia, mixmídia e intermídia como no quadro que procuro reproduzir a seguir:
| tipo | operação | esquema | exemplos |
| transmídia | transposição | imagem>texto; texto>imagem | crítica de arte, écfrase, fotonovela |
| multimídia | justaposição | imagem|texto | título de pintura, emblema, livro ilustrado |
| mixmidia | combinação | imagem+texto | cartaz, história em quadrinhos, selo postal |
| intermídia | fusão | itmeaxgteom | tipografia, caligrama, poesia concreta |
Mas salientou que a pesquisa intermidiática não se resume à definição dessa tipologia. Infelizmente, ele não havia preparado exemplos de hipóteses de pesquisa trabalhadas no campo. Nas palestras seguintes, espero poder sentir um gostinho mais prático do que é Intermidialidade.
Considerei muito interessante a afirmação de que intertextualidade sempre implica intermidialidade. Vai daí que a categoria base é mídia e não arte. Interartes estaria, portanto, subsumida na intermídia. Nesse contexto, ele citou como exemplo a leitura e análise da poesia concreta, que, via intermídia, seria completamente distinta da realizada dentro dos campos tradicionais da literatura. Discutiu, por exemplo, o poema visual de Augusto de Campos, Cage Chance Change (infelizmente não consegui uma imagem na internet), demonstrando como exige intertextos e domínio de códigos muito diferentes por parte do receptor.
Esse, parece, é o principal objeto de estudo: investigar as expectativas e capacidades do receptor, lidando com questões como materialidade, recepção performática, novas formas de arte etc.