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Diário

2010-07-01 Porque desisti da pintura

Há alguns dias me fizeram essa pergunta: “Por que você desistiu da pintura?” Eu não soube responder e por isso acatei timidamente a tirada bem bolada da Piti: “A pintura é que desistiu dele.”

Anos atrás, quando concluí a disciplina Modelo I na EBA-UFMG, presenteei meu então professor e hoje amigo Zé Roberto Schneedorf com o livro Manual de Pintura e Caligrafia do Saramago. Minha motivação foi parte irônica, parte justificatória: a questão já era mais ou menos a mesma.

Ontem a pergunta se repetiu e respondi casualmente sobre minha já antiga inclinação para a teoria e como compreendo minha atual produção escrita quase como objeto artístico. Não bastou, então disparei uma meia-mentira: “Continuo pintando, só não acho que a pintura tem tanta relevância teórica hoje” – farei mistério sobre qual das orações é a mentirosa.

E agorinha assisti a um filme exemplar sobre o limite: Aquiles e a tartaruga, de Takeshi Kitano. Ainda sob o impacto da tragicomédia, talvez seja essa a resposta: é um limite meu, cujo sintoma é o fato de nunca ter tentado realmente vender uma pintura. É como se eu estivesse sempre pintando secretamente um segundo retrato, tal como o personagem de Saramago – no que admito uma boa dose de vaidade.

Bom, basta assistir ao filme; está passando na TV a cabo. Vale também essa bela resenha de Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro.

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2009-09-05 O futuro da pintura

O futuro da pintura
Eis o futuro da pintura?

Dessa vez não há barganha possível com a morte da pintura…

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2009-09-04 Caderno diário de viagem

Trabalho de Carlos Fonseca

Vale a pena dar uma conferida no blog Caderno diário: registro de percursos, resultante de oficina ministrada pela Giovanna Martins no 41º Festival de Inverno da UFMG (junho de 2009).

Quem acompanha meu trabalho sabe que há muito barganho com a morte da pintura. Todo dia me pergunto para que ela serve ainda hoje… Mas ao contrário do que isso pode levar a crer, gosto muito desse bucolismo anacrônico na pintura (quanta redundância!), mas só e somente só quando isso está claro para o artista e faz parte de sua poética.

Citando do blog:

“este trabalho, proposto pela artista e professora da escola de belas artes, giovanna martins, ao retomar a tradição dos diários de viagem (como os de dürer, turner, debret e delacroix, entre outros), visava percorrer a cidade e seus arredores na busca de traduzir os vários aspectos daqueles lugares”.

Há páginas muito legais como essa de meu velho amigo Carlos Fonseca, com uma incômoda plaquinha da Kaiser e carros estacionados. Esse tipo de decisão – no caso, de não excluir esses elementos hodiernos – é o que cria uma verdadeira imagem crítica – ie. que suscita a crise. Acho que todo mundo já cansou de fotografias de cidades históricas, ao menos em Minas. E o que cansa é que elas são quase – quase históricas, quase bucólicas, quase sem carros, quase sem placas! Quando uma pintura alcança esse quase, produz uma teoria, não é?

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2008-11-21

  • (diferenças) (histórico) 2008-06-14 . . . . – Correção para o Alan Fontes, que me procura e diz que eu estou dizendo besteiras quando comparo suas cores com as da Adrina Varejão na série Saunas. Não é imitação, nunca disse isso. Não é besteira também não. É a monotonia da técnica mesmo. Se me cobra dizer, desculpe-me amigo: é monotonia. Também sei falar o que não se deve: não que não conhecesse Adriana Varejão; não que só conhecesse seu trabalho, caro Alan; ambos me encantam. A coincidência das cores (e são tantas cores possíveis, não é?) é o que me incomoda. Pronto. Sei lá quem vem antes ou depois. E que importa isso, senão a um discurso de criatividade que não existe mais? E se a Adriana copiou de você, puta elogio!

Ah! Mas olha só. Não tem nada a ver! Uma olhada em http://alanfontes.blogspot.com/ mostra outras coisas, outras cores. É a pintura o problema: toda pintura, a coisa feita com essa técnica, é “igual”, hoje e sempre. Mil e um discursos sobre a morte da Pintura, mas nenhum vem ao caso; também me considero pintor. Mas sou um daqueles acabados antes de começar porque sei que a pintura está caput, apesar de começar todo dia, apesar de continuar vivendo todo dia…

“[…] cores que julgava serem de Alan Fontes […]” é uma simples aporia.

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2008-06-10

Hoje tive uma grata surpresa ao ler um jornalzinho que recebo do meu curso de francês. Reencontrei (o site de) meu amigo e grande pintor Juliano Caldeira que está fazendo residência na França faz alguns anos. Vale a pena conferir seu portfolio e também o blog. Ambos estão em francês, mais que pouvons-nous faire?

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2008-04-09

A galeria da Escola Guignard UEMG tem dado sua contribuição para o boom expositivo em BH (que discuti em 2008-03-27), divulgando amplamente e buscando abrigar exposições que interessem também ao público externo, como a retrospectiva de Franz Weissmann, no final do ano passado. Abre hoje uma exposição que promete: Projeto Gravura – Serigrafia, com 13 artistas trabalhando a técnica. Estarei lá.

O pincel digital I/O Brush é apresentado como brinquedo de criança, mas para mim seria um instrumento de trabalho sensacional! Sou pintor e me aventuro na arte digital, mas nunca gostei da (se é que existe) “pintura digital”. Usar um editor de imagens e tablet para “pintar” sempre me pareceu enfadonho por ser um processo indireto: o corpo não toca a pintura (a tela, as tintas), mas sempre um mediador. Mesmo no caso de canetas que escrevem direto no monitor, falta a relação com as tintas. O I/O Brush é o melhor simulador de pintura que já vi: você toca um objeto colorido, sua tinta, e depois a tela; e a imagem aparece alí mesmo. Ainda é simulação – e não realização do ato de pintar digitalmente – pois falta algo … – Couchot, falando sobre representação, nos dá uma pista – … tão estimado pelo pintor, que é o contato com a realidade – o cheiro, a textura etc. – de sua paleta e tela. Quem sabe um dia? Vários tamanhos e formatos, várias superfícies… Imaginem a possibilidade de o resultado ser pigmento sobre tela; algo formado por nanopartículas e que permitisse até mesmo a imagem em movimento… Uau!!!

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